O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), unidade do Governo do Pará, em Belém, celebrou seus 11 anos de funcionamento com a Festa Doce Infância, realizada nesta terça-feira (13), em alusão ao Dia das Crianças. Com o tema “Adoçando Vidas e Espalhando Alegria”, a programação reuniu pacientes, familiares, profissionais e voluntários em uma manhã de música, brincadeiras e acolhimento, reforçando a importância da humanização no tratamento oncológico infantojuvenil.
A celebração também marcou o aniversário da unidade, entregue em 12 de outubro de 2015, que se tornou referência no atendimento especializado a crianças e adolescentes com câncer no Pará.
Realizada na recepção principal do hospital, a festa contou com decoração temática, personagens infantis, apresentações artísticas e musicais. Entre as atrações estavam Tio Bala, Bruno Maia, Banda Halley, DJ Ruano, Fafá Maniva, Us Carapanãs, Batman Ronnie, Grupo de Cosplays do Pará, Bob Esponja, Grupo Sorria, Ociviai Aranhas de Belém e o Teatro do Grupo de Ação de Educação no Trânsito de Belém.
Profissionais da unidade também participaram das atividades com fantasias e camisetas temáticas, proporcionando momentos de interação com as crianças e seus familiares.
A coordenadora de Humanização do Hoiol, Natacha Cardoso, explicou que a programação foi planejada para valorizar o direito das crianças de vivenciar a infância, mesmo durante o tratamento contra o câncer.
“Escolhemos destacar um dos direitos fundamentais de toda criança: o direito de viver a infância. Nosso maior presente é proporcionar um dia de alegria, leveza e brincadeiras, reconhecendo que brincar é uma das formas mais importantes de expressão infantil”, afirmou.
Segundo Natacha, atividades como essa ajudam a transformar a experiência hospitalar e fortalecer os vínculos entre pacientes, familiares e profissionais.
“O ambiente hospitalar está naturalmente associado a procedimentos, medicamentos e momentos de preocupação. Quando criamos espaços de brincadeira, música e fantasia, oferecemos às crianças a oportunidade de vivenciar outras experiências. Humanizar é olhar para o paciente além da doença”, destacou.
Um dos momentos mais emocionantes da programação foi a celebração da cura de Beatriz dos Santos, de 12 anos, que concluiu o tratamento contra a leucemia após anos de acompanhamento no hospital.
A menina tocou o Sino da Vitória, símbolo da conclusão do tratamento oncológico, acompanhada da mãe, a esteticista Danielle Santos, de 30 anos.
Emocionada, Danielle relembrou a trajetória da filha e agradeceu o acolhimento recebido desde a chegada à unidade.
“Minha gratidão pelo Oncológico Infantil é imensa e se estende da recepção à direção. Aqui conheci pessoas de coração enorme. Quando chegamos, ficamos impressionadas com o atendimento tão carinhoso e humanizado. Técnicas, enfermeiras e médicos foram fundamentais nessa caminhada. A doutora Alayde Vieira, oncopediatra e diretora técnica do hospital, sempre foi maravilhosa com a minha filha”, contou.
Vestindo uma camisa com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Danielle também destacou a importância da fé durante os anos de tratamento.
“A mensagem que deixo é de perseverança e fé. Seguimos todas as orientações médicas e enfrentamos essa batalha com muita dedicação. Não foi fácil. Minha filha chegou aqui com 3 anos e 9 meses e, hoje, aos 12 anos, está curada, graças a Deus. Acredito na intercessão de Nossa Senhora, e minha gratidão será eterna”, declarou.
Para Beatriz, tocar o sino justamente no mês do Círio de Nazaré tornou a conquista ainda mais especial.
“Sou muito grata a Deus e a Nossa Senhora. A fé me deu forças para continuar. Sonhei durante muitos anos com a minha cura e, hoje, esse grande dia chegou, justamente no mês do Círio. É uma emoção muito forte e especial para mim”, disse.
A programação também proporcionou momentos de descontração para familiares que acompanham diariamente a rotina de tratamento das crianças.
A dona de casa Dalila Araújo, de 29 anos, participou da festa com as filhas Maria Alice, de 8 anos, e Maria Sofia, de 1 ano e 9 meses. Maria Alice realiza tratamento oncológico na unidade há pouco mais de um ano.
“A rotina de quem acompanha uma criança em tratamento é muito intensa. Quando acontece um evento como esse, conseguimos esquecer um pouco as preocupações e simplesmente ver a criança sorrindo, brincando e sendo criança. Muitas famílias não têm condições de sair para aproveitar uma data especial, então viver essa experiência aqui no hospital é muito positivo”, afirmou Dalila.
Entregue em 12 de outubro de 2015, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é uma unidade pública do Governo do Pará especializada no atendimento a crianças e adolescentes com câncer.
O hospital leva o nome do médico belenense Octávio Augusto Pereira Lobo (1920–1994), que contribuiu para o desenvolvimento da medicina no Estado e foi responsável por trazer para Belém o primeiro equipamento de radioterapia, entre outras tecnologias médicas.
Habilitado pelo Ministério da Saúde desde 2017 como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hoiol dispõe de 89 leitos exclusivos, sendo 10 destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Entre os procedimentos de alta complexidade realizados estão neurocirurgias, cirurgias de cabeça e pescoço e intervenções ortopédicas. Em setembro, a unidade registrou índice de satisfação dos usuários de 95,41%.
Gerenciado pelo Instituto Diretrizes (ID), por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o hospital atende pacientes dos 144 municípios paraenses e também de estados vizinhos.
Desde o início de seu funcionamento, 436 crianças e adolescentes já tocaram o Sino da Vitória na unidade.
Para a diretora-geral do Hoiol, Sara Castro, os 11 anos de atuação representam uma trajetória de cuidado especializado, acolhimento e compromisso com as famílias.
“Celebrar 11 anos é reconhecer tudo o que construímos. Cada paciente, família e profissional deixa uma marca nessa história. Escolhemos comemorar de uma forma que representa aquilo em que acreditamos: acolhimento, humanização e esperança. Ver os profissionais participando das brincadeiras e interagindo com as crianças mostra que o cuidado também passa pelo afeto, pela escuta e pela presença”, destacou.
A diretora reforçou que o tratamento oncológico deve considerar também as necessidades emocionais e sociais dos pacientes.
“A infância não pode ficar em segundo plano durante o tratamento. Criar momentos de alegria, brincadeira e acolhimento também faz parte do cuidado. Foi uma manhã especial, cercada de carinho. Agradeço às famílias, aos colaboradores, voluntários e parceiros que contribuíram para tornar essa celebração possível”, afirmou.
A Festa Doce Infância contou com a colaboração de voluntários, instituições e parceiros que contribuíram para a realização das atividades.
Entre os apoiadores estiveram Abecas Capelania Internacional; Amanda Sampaio, do Cehmo; Sterisupri; Missora Lavanderia; Pamela Brito; ACCEB; Silvana e Grupo GSU; Sávio Coelho; Jucilene e Grupo Anjos da Esperança; Geane Lorena; Doce Festa; Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel); Ação Cidadania, da IEQ Terceira Região; Cristele Arts; e Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas e Motorizadas (Rotam).
A diretoria assistencial do hospital também contribuiu com a disponibilização de uma barraca de acolhimento aos acompanhantes e de cuidados com a saúde.
Segundo a coordenadora Natacha Cardoso, a participação dos parceiros foi fundamental para proporcionar uma programação voltada ao bem-estar dos pacientes e de seus familiares.
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